11 de fevereiro de 2009

No Plans

"Aliás, se persistíssemos em afirmar que as nossas decisões somos nós que as tomamos, então teríamos de principiar por dilucidar, por distinguir, quem é, em nós, aquele que tomou a decisão e aquele que depois a irá cumprir, operações impossíveis, onde as houver. Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que tomam a nós. A prova encontramo-la em que, levando a vida a executar sucessivamente os mais diversos actos, não fazemos preceder cada um deles um período de reflexão, de avaliação, de cálculo, ao fim do qual, e só então, é que nos declararíamos em condições de decidir se iríamos almoçar, ou comprar o jornal, ou procurar a mulher desconhecida."

José Saramago - Todos os Nomes
Página 42 (perseguição, perseguição)

Tempos atrás eu adotei a política do 'No Plans': sem planos, sem traçar muitos objetivos, sem nada. Nada dá muito certo quando a gente planeja, então não adianta, simples assim. Aí eu lia o mestre Saramago e achei esse trecho. Perfeito, perfeito. Ou não.

'Um bom dia pra você e até amanhã', disse a apresentadora do Globo Rural. Era como se ela adivinhasse que, no dia seguinte, eu também estaria acordada às 6h30 da manhã, sem conseguir dormir. Nos últimos dias, tenho andado com uma dificuldade imensa para encostar a cabeça no travesseiro e pegar no sono, talvez porque eu ande pensando demais. Desde a tão famosa formatura, os motores desaceleraram e essa lentidão com que as coisas andam tem me deixado um tanto paranóica - como se normalmente eu já não fosse.

E aí entra o No Plans. Essa ausência de objetivos tem me dado um vazio imenso, e mesmo assim eu não tenho coragem de fazer plano algum. Foi por causa disso que, no dia 29 de janeiro, em plena manhã pré-formatura, eu chorei. E chorei muito, dois ataques de desespero inúteis, por receio de quebrar todos os vínculos que eu mantinha até então. Bobagem. Continuo mantendo, salvo poucas exceções. Mas é o olhar pra frente e não enxergar nada traçado, nada pré-moldado, que me apavora.

'Às vezes é preciso dar um passo pra trás para enxergar o quadro todo', disse um amigo meu esses dias. Aliás, se não fosse esse e mais outros 4 amigos que, de uma forma ou de outra, me fazem companhia, talvez eu já estivesse bem pior. E são as distrações, as fotos, as longas conversas antes de dormir (ou logo ao acordar, depende do lado da linha telefônica), as risadas, os links, as janelas do MSN e até os jogos de futebol com café e pão de queijo o que mantém a minha mente um pouco menos alucinada, um pouco menos confusa, um pouco menos catastrófica. Ou não. Mas vale a pena mesmo assim. Enfim, tudo isso para dizer andei pensando, que estou sendo obrigada a pensar e pensar demais, por mais que eu tente fugir disso. E eu descobri que eu odeio pensar. Adoro amebas.

'O que não pode ser resolvido, resolvido está', disseram três coisas diferentes que eu andei lendo por aí afora. E eu não sei se isso pode ser seguido à risca ou não, e isso me faz pensar e pensar é realmente uma coisa cansativa. E o cansaço me dá vontade de sair por aí, de fugir. E para fugir é preciso uma válvula de escape, ou um lugarzinho qualquer mesmo. E achar esse lugar depende de outros fatores. Que dependem de planos.

Coisa que eu não quero fazer tão cedo.


P.S.¹: Post emuxinho e desabafante. To indo pra Capão Novo (sem fugir, o que é uma pena) e deixei programados alguns posts pra esse meio tempo, que - lógico - não farão tanta diferença assim.
P.S.²: Muito obrigada Casal, Fer, Chai e João. Pessoinhas que fazem sim, muita diferença.

4 comentários:

João disse...

eu estou no post, eu estou no post, eeeee *-* -q
e Fabs, vc tem/aplica as teorias mais geniais ever, falei

Fernanda disse...

É tão bom saber que a gente faz realmente diferença na vida de alguem, Fabeszudinha. e tu faz muita na minha! *o* sabe, como a Belle me disse outro dia: cabeça vazia, oficina do diabo (tá, ela num falou bem assim, mas é +- a essência -q).. só que pensar demais também é meio evil! Finge (g?) que tu tá de férias, e só depois do show do cabeça de rádio (nossa, rádio é uma palavra muito estranha, mas enfim..) tu vai começar construir alguma coisa pra pensar sobre.. e espero que tu não fique mais deprezinha com o show.. aliás.. que tu fique muuuuito alegre depois dele, porque, minha cara (eu estava relendo o comentário e não entendi esse 'cara'.. juro) (aaaaaaaaahhh agora sim D: cara, sou mt lerda -.-), se Coldplay vier, noizes vaaii! aí já é outro motivo de alegria imensa -q .. ah, e sobre o modo que tu estrutura teus textos.. simplesmente amo-os. e pra acabar: amo-te, green grass!

belle disse...

Nossa, fui citada num post e num comentário, que importante sou. :S

Comentário emo em resposta de post emo.

Nhé. Pensar demais é um saco mesmo. :T Pensa, pensa, pensa e nada se resolve. E essa falta do que fazer também não ajuda. :T

Tu é uma das pessoas mais importantes na minha vidinha e eu realmente queria poder fazer mais do que te entupir de vídeos e dizer: "Toma gordito!". Mas enfim.

Sendo uma pessoa que vive num futuro que não existe e provavelmente não irá existir, já te disse que não consigo imaginar essa história de No Plans. Mas eu entendo. E sempre estarei aqui, menina. Às 09h da manhã eu tô aqui. E às 11h da noite também. E qualquer outro horário que tu quiser inventar, estarei aqui.

E acho que no final é isso que importa. É saber que tu tem essas pessoas contigo e que nem todo mundo tem essa sorte. Don't worry we'll catch you.

[E quem precisa de planos quando se tem o show do Radiohead, afinal?]

Lais Baptista disse...

Eu adotei essa idéia de "no plans", mas incoscientemente acabo com "yes! plans!"... aeiuhiueahea
bom, o que eu tenho a dizer é clichê, mas é verdade: dont worry, be happy.
tá, eu sei que na prática é difícil porque eu mesma tento isso há anos e o máximo que eu talvez consiga é o dont worry. iaeiuauieahea
enfim, dont worry... as coisas se ajeitam de uma forma ou de outra.
e se elas não se ajeitarem, faça ajeitarem-se.
;)
(e o layout? haha)