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19 de novembro de 2009

Poemas no ônibus IV

Adaptação do Cotidiano para um Momento de Vazio (a seco)

Eu não deixo recadinhos babacas
Nem tenho atitudes melosas
Cheias de ternura!

Mas ela sabe
Que no meu coração de pedra
Fez uma rachadura!

Tunai Giorge de Oliveira Leites
(Poemas no ônibus - 16ª edição)

7 de novembro de 2009

Sobre acreditar - ou não - em tudo que se lê aqui


"Curioso es que la gente crea que tender una cama es exactamente
lo mismo que tender una cama, que dar la mano es siempre lo mismo
que dar la mano, que abrir una lata de sardinas es abrir al infinito la
misma lata de sardinas."

Las Armas Secretas - Julio Cortázar

20 de outubro de 2009

Poemas no ônibus III

FINGIR...

FINGIR
SER SIMPÁTICO
DEFORMA O ROSTO.

Ubirajara Alves de Oliveira
(Poemas no ônibus - 17ª edição)

1 de maio de 2009

Post gigante de número 50

"Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação. (...)"

Isto - Fernando Pessoa

- A Fabi anda lendo Pessoa?

Não exatamente. Andei lendo cadernos antigos, coisas de ensino médio, em busca de algo útil para se colocar por aqui e encontrei o trecho acima, adivinhe, no caderno de Literatura do segundo ano. Fato que vai se desdobrar em alguns parágrafos.

Como o título já diz, esse é o post nº 50 do Bologui. Já escrevi zilhões de coisas para postar, mas sempre digo isso e nunca posto nada. São quase dois anos de blog, o que dá uma média ridícula que é melhor eu nem calcular. Então, saí à cata de mais textos publicáveis, para juntar tudo e começar a postar. Foi aí que eu tive a ideia (credo, sem acento) imbecil de revirar cadernos antigos, para enfim chegar a estas conclusões:

- Se não fosse eu revirar gavetas, eu jamais me lembraria que fizemos um "Dicionário de Biologia" no segundo ano, bastante inútil, por sinal.

- As conversas nas folhas de caderno com as amigas eram muito mais malucas do que eu teria capacidade hoje em dia.

- Em cima da minha cabeça, brilhava uma placa gigante e em neon, com os dizeres "LOSER" e "RETARDADA", dia e noite, sem parar.

- Eu não me contentava com pouco para ser loser e retardada, pelo contrário. E eu ficava feliz lendo coisas absurdas que, se fosse hoje, me deixariam muito enfurecida... MAS

...eu ri. Ri muito da minha capacidade de ser imbecil. O pior é que eu sei que as piores coisas eu nem cheguei a ler, melhor assim. Enfim, não deu pra aproveitar nada para pseudo-futuras-postagens, mas achei o Pessoa. Aí resolvi colocar aqui. Estou com, ahm, planos de fazer posts mais frequentes, talvez colocar algo do antigo blog e finalmente colocar as coisas que estou escrevendo há décadas. "Coisas", porque não faço ideia (jamais me adaptarei a essa reforma ortográfica, fato) de qual 'gênero literário' tudo aquilo se encaixa. Enfim, são só realidades ficcionais da minha cabeça contraditória.

By the way, estou com uma ideia (oh, céus, terceira vez no mesmo texto) para um novo blog. Para quê, né? Em breve, maiores detalhes e, talvez, um chamado para você aí, que está sentado(a) em frente ao computador lendo esse post inútil que não levará a lugar algum, colaborar com textinhos singelos.

Ou não. Mas isso é assunto para um próximo post.

11 de fevereiro de 2009

No Plans

"Aliás, se persistíssemos em afirmar que as nossas decisões somos nós que as tomamos, então teríamos de principiar por dilucidar, por distinguir, quem é, em nós, aquele que tomou a decisão e aquele que depois a irá cumprir, operações impossíveis, onde as houver. Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que tomam a nós. A prova encontramo-la em que, levando a vida a executar sucessivamente os mais diversos actos, não fazemos preceder cada um deles um período de reflexão, de avaliação, de cálculo, ao fim do qual, e só então, é que nos declararíamos em condições de decidir se iríamos almoçar, ou comprar o jornal, ou procurar a mulher desconhecida."

José Saramago - Todos os Nomes
Página 42 (perseguição, perseguição)

Tempos atrás eu adotei a política do 'No Plans': sem planos, sem traçar muitos objetivos, sem nada. Nada dá muito certo quando a gente planeja, então não adianta, simples assim. Aí eu lia o mestre Saramago e achei esse trecho. Perfeito, perfeito. Ou não.

'Um bom dia pra você e até amanhã', disse a apresentadora do Globo Rural. Era como se ela adivinhasse que, no dia seguinte, eu também estaria acordada às 6h30 da manhã, sem conseguir dormir. Nos últimos dias, tenho andado com uma dificuldade imensa para encostar a cabeça no travesseiro e pegar no sono, talvez porque eu ande pensando demais. Desde a tão famosa formatura, os motores desaceleraram e essa lentidão com que as coisas andam tem me deixado um tanto paranóica - como se normalmente eu já não fosse.

E aí entra o No Plans. Essa ausência de objetivos tem me dado um vazio imenso, e mesmo assim eu não tenho coragem de fazer plano algum. Foi por causa disso que, no dia 29 de janeiro, em plena manhã pré-formatura, eu chorei. E chorei muito, dois ataques de desespero inúteis, por receio de quebrar todos os vínculos que eu mantinha até então. Bobagem. Continuo mantendo, salvo poucas exceções. Mas é o olhar pra frente e não enxergar nada traçado, nada pré-moldado, que me apavora.

'Às vezes é preciso dar um passo pra trás para enxergar o quadro todo', disse um amigo meu esses dias. Aliás, se não fosse esse e mais outros 4 amigos que, de uma forma ou de outra, me fazem companhia, talvez eu já estivesse bem pior. E são as distrações, as fotos, as longas conversas antes de dormir (ou logo ao acordar, depende do lado da linha telefônica), as risadas, os links, as janelas do MSN e até os jogos de futebol com café e pão de queijo o que mantém a minha mente um pouco menos alucinada, um pouco menos confusa, um pouco menos catastrófica. Ou não. Mas vale a pena mesmo assim. Enfim, tudo isso para dizer andei pensando, que estou sendo obrigada a pensar e pensar demais, por mais que eu tente fugir disso. E eu descobri que eu odeio pensar. Adoro amebas.

'O que não pode ser resolvido, resolvido está', disseram três coisas diferentes que eu andei lendo por aí afora. E eu não sei se isso pode ser seguido à risca ou não, e isso me faz pensar e pensar é realmente uma coisa cansativa. E o cansaço me dá vontade de sair por aí, de fugir. E para fugir é preciso uma válvula de escape, ou um lugarzinho qualquer mesmo. E achar esse lugar depende de outros fatores. Que dependem de planos.

Coisa que eu não quero fazer tão cedo.


P.S.¹: Post emuxinho e desabafante. To indo pra Capão Novo (sem fugir, o que é uma pena) e deixei programados alguns posts pra esse meio tempo, que - lógico - não farão tanta diferença assim.
P.S.²: Muito obrigada Casal, Fer, Chai e João. Pessoinhas que fazem sim, muita diferença.

30 de dezembro de 2008

Enquanto isso...

... eu posto meu vício musical atual. Só porque eu não consigo tirar essa música do cérebro.


Just as you take my hand
Just as you write my number down
Just as the drinks arrive
Just as they play your favourite song

As the blathers disappears
No longer wound up like a spring
Before you've had too much
Come back and focus again

The walls abandon shape
You've got a Cheshire cat grin
All blurring into one
This place is on a mission

Before the night owl
Before the animal noises
Closed circuit cameras
Before you're comatose

Before you run away from me
Before you're lost between the notes
The beat goes round and round
The beat goes round and round

I never really got there
I just pretended that I had
What's the point of instruments?
Words are a sawed off shotgun

Come on and let it out
Come on and let it out
Come on and let it out
Come on and let it out

Before you run away from me
Before you're lost between the notes
Just as you take the mic
Just as you dance, dance, dance, dance, dance...

Jigsaw falling into place
There is nothing to explain
Regard each other as you pass
She looks back, you look back
Not just once
Not just twice

Wish away the nightmare
Wish away the nightmare
You've got a light, you can feel it on your back
A light, you can feel it on your back
Jigsaw falling into place

Jigsaw Falling Into Place - Radiohead.

(Agora sim, até ano que vem.)

13 de novembro de 2008

Poemas no ônibus II

Aos poucos

Aos poucos,
pelos vãos dos dedos,
pelos nãos dos medos,
pelas mãos dos ledos,
pelos sãos dos credos;

perdemos um pouco
do tudo que temos.

E nos escondemos no sorriso mudo dos profetas,
na esquálida esperança das garrafas vazias.

Porque perdemos tudo:
as praças, as taças e os brinquedos;

assim,
pelos vãos dos dedos.

Marcelo Lopes
(Poemas no Ônibus - 16ª edição)

31 de março de 2008

Momento pânico

Aos tímidos

Como um tímido veterano, posso dar alguns conselhos aos que estão recém descobrindo o martírio de enfrentar este terror, os outros, e a obrigação de se fazer ouvir, ter amigos, namorar, procriar e, enfim, viver, quando o que preferia era ficar quieto em casa. Ou, de preferência, no útero. Para começar, algumas coisas que não funcionam. Tentei todas e não deram certo. Decorar frase, por exemplo. Já fui com uma frase pronta para impressionar a menina e na hora saiu "Teus marilus verdes são como dois olhos, lagoa". Também resista à tentação de assumir um ar superior e dar a impressão de que você não é tímido, é misterioso. Eu sou do tempo em que a gente usava chaveiro com correntinha (além de tope e topete, tope de gravata enorme e topete duro de Gumex) e ficava girando a correntinha no dedo enquanto examinava as garotas na saída das matinés (eu sou do tempo das saídas de matinés). Um dia deu certo, a garota veio falar comigo, ou ver de perto o que mantinha o topete em pé, foi atingida pela hélice da correntinha e saiu furiosa. Melhor, porque eu não tinha nenhuma fala pronta, o que dirá misteriosa, que correspondesse à pose. Evite manobras calhordas, como identificar alguém tão tímido quanto você no grupo, e quando, por sacanagem, lhe pedirem um discurso, passar a palavra para ele. O mínimo que um tímido espera de outro é solidariedade. E não há momento mais temido na vida de um tímido do que quando lhe passam a palavra. Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. Porque no fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se, o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de não estar ali, estar quieto em casa.

Luis Fernando Verissimo
Zero Hora - 27/03/2008

É. Apesar de não parecer muito, eu tenho ataques súbitos de não querer falar em público, mesmo que esse público imenso seja a meia dúzia de colegas que convive comigo há dois anos. Hoje tive uma pequena amostra disso.

Nem quero pensar na apresentação do Projeto Experimental (auditório, três turmas reunidas, professores, PowerPoint, microfones...) no fim do semestre. Na realidade, nem no textinho da prévia do projeto na quinta eu quero pensar muito.

Todo caso, segue o baile.

19 de novembro de 2007

Filosofias Teunenses III - Poemas no ônibus I

Vocação

Era uma vez uma flautista
Que além de ratos atraía
Homens baratos
Depressivos chatos
Amigas feias
Tarados incompetentes
Dentistas sádicos
Chefes obtusos
E visitas inoportunas
Cansada do azar, vendeu a flauta, comprou uma Glock 9mm e ficou milionária matando tempo e casos perdidos.

Ane Arduin
(Poemas no Ônibus - 15ª edição)

P.S.: Optei pelo "ou não". Música eu falo mais adiante, depois desse fim de semestre maldito. Ou não de novo. =P

11 de outubro de 2007

Luz e sentido e palavra

"Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo,
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito.
E você estava esperando voar,
Mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?
O que sinto muitas vezes faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo que me explique porque é que não consigo ver sentido
No que sinto, o que procuro, o que desejo e o que faz parte do meu mundo..."

Há 11 anos atrás, esse cara aí foi embora, cedo demais. O cara que mudou minha vida, que me viciou em música boa e me tornou uma legionária. Há onze anos atrás, eu ainda não era tão viciada em Legião Urbana como sou hoje, e hoje também não ouço tanto como antes, mas tio Renato é tio Renato, e sempre acaba surgindo uma frase, uma música pra cada coisa que vem na cabeça.

Enfim, fica aqui o lembrete de mais uma sobrinha do tio Renato Russo.

Força Sempre.

Ouvindo The Last Time I Saw Richard - Legião Urbana.

... a propósito, achei um teste bem bobinho: Que álbum da Legião Urbana Você É? Eu sou o Dois. Dãã, hehehe.